O lance da rodada (e do campeonato, arriscaria eu) saiu do duelo entre Internacional e Palmeiras, sábado no Beira-Rio. Após cruzamento proveniente de um escanteio, Barcos, acintosamente com o braço, manda a bola para o fundo do gol. Imediatamente após o lance, os jogadores do Internacional correram ao árbitro Francisco Carlos do Nascimento para protestar, enquanto ele (e o assistente Evandro Tiago Bender), alheio à reclamação, valida o gol. É só após alguns minutos de veemente reclamação colorada e após uma conversa via rádio com o 4º árbitro que o juiz volta atrás e anula o gol - porém sem dar cartão amarelo ao atacante palmeirense. ''Coincidentemente'', a anulação do gol se deu logo após a TV exibir o replay detalhadamente.
Após a partida, o Palmeiras entrou com um pedido na justiça requerendo a anulação do jogo. Paradoxal ou não, o clube tem esse direito. Nenhum elemento externo pode influenciar a decisão dos 4 ou 6 árbitros. Não se poder valer de uma contravenção para evitar outra. Dessa maneira, os pontos do jogo estão impugnados até que se tome a decisão, em um julgamento a ser realizado no dia 8 de novembro .
O debate preferencial levantado por comentaristas, jornalistas, torcedores e palpiteiros de plantão após o lance é o do uso de recursos externos, como o auxílio de imagens das televisões. Bem, é um debate válido, mas, nesse caso em específico, não deveria ser levado à pauta pelo motivo óbvio de ofuscar um bem mais relevante nesse atual momento: o da ruindade da arbitragem nacional. Se a FIFA postergou o que postergou até aceitar pôr um chip na bola (como teste, no Mundial de Clubes desse ano), não vai ser em um instante que legalizará um recurso bem mais decisivo e potente, que pode até mexer no fluxo da partida dependendo de como for aplicado. Sendo assim, esse é um debate contínuo, que apresenta real relevância apenas em um futuro longínquo. Hoje levar tal debate ao centro das discussões é colocar o juiz da peleja Francisco Carlos do Nascimento e o assistente Evandro Tiago Bender como parte das vítimas da birra da FIFA em não utilizar recursos eletrônicos. O lance foi um dos mais claros da história do futebol. Clamar à recusa da FIFA em tal caso é dar um atestado de ''vítima dos limites humanos'' a quem errou grotescamente e é o principal vilão do caso. O grande debate a se fazer hoje é o de remodelação de um quadro de arbitragem fraco e incompetente, que muda o destino de partidas e campeonatos graças a sua baixa eficiência. É um debate bem mais prático, acessível e o que se mostra mais necessário no momento. Outro ponto que o lance pode trazer à tona é a gravação do rádio comunicador dos árbitros, o que já ocorre por exemplo na Inglaterra. São assuntos mais práticos e mais necessários atualmente.
Que o jogo não vai ser invalidado, disso tenho total certeza. Basta um dos árbitros dizer que o 4ª árbitro foi quem atentou para a irregularidade e, pronto, não há como provar o contrário. Ao Palmeiras restará o choro. E às pessoas que gerem a arbitragem no Brasil?
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