quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sobre o ''polêmico'' patrocínio da Caixa ao Corinthians

O Corinthians anunciou nesta segunda-feira, através do seu site, o novo patrocinador master do clube. Trata-se da Caixa Econômica Federal, que pagará 31 milhões de reais anuais, até 2014. A marca já estará estampada na camisa do clube a partir do próximo sábado, contra o Santos, no Pacaembu.

Pois bem, isso foi o suficiente para ''analistas'' exporem o seu clubismo travestido de ''revolta cidadã'': 

''Como pode, um banco estatal, financiar um time de futebol? O meu dinheiro dos impostos para o Corinthians? Certeza que isso tem o dedo do Lula. Mais dinheiro público para esse time sujo. Só no Brasil mesmo...''

Essa revolta é sem sentido e, como já disse, com fortes ares clubistas. Primeiro, não ocorreu grande revolta quando a Caixa anunciou que patrocinaria Avaí, Figueirense e Atlético-PR. ~Estranhamente~  só ocorreram grandes manifestações contra quando aquele que é um dos mais odiados clubes do país passou a ser o patrocinado.

''Mas isso ainda assim, é errado dá dinheiro público a times de futebol, é um absurdo.''

Primeiro, a Caixa tem patrimônio próprio. Segundo: não é ''dá'' o dinheiro, puro e simplesmente. É patrocínio, não é um agrado ou uma esmola, a Caixa com toda a certeza terá um retorno, afinal, vai estampar a sua marca na camisa de uma das equipes mais famosas do país, que aparece todo dia na TV, que em breve disputará o Campeonato Mundial de Clubes, no Japão, etc, etc...

''Sim, mas qual o sentido de uma estatal fazer propaganda?

A Caixa está no mercado, disputando espaço e clientes com bancos privados. Precisa de dinheiro, já que financia e incentiva programas sociais, além do óbvio objetivo de lucro. Logo, faz propagandas para angariar clientes e, consequentemente, dinheiro.

''Mas qual o sentido de uma empresa já consolidada fazer propaganda''

Partindo desse princípio, Coca-Cola e McDonalds não precisam mais fazer propaganda, certo? ...

''Só que a Caixa já  patrocinava outros esportes, entretanto não patrocinava diretamente clubes, porque não patrocina direto o Campeonato Brasileiro?''

Ao patrocinar outros esportes, a Caixa não visa o lucro diretamente através do patrocínio, espera reforçar uma imagem de empresa ''descolada'', com consciência social - ao investir no esporte amador e paralímpico. Irá continuar com estes patrocínios, que, aí sim, são mais como uma espécie de ''caridade'', já que não traz tanto retorno direto.

E sobre patrocinar diretamente o futebol. Patrocinar o Campeonato Brasileiro seria uma boa, mas já é a Petrobrás quem o faz...


Isso pra não contar vários outros patrocínios de estatais. Petrobrás no River Plate e Flamengo, Eletrobrás no Vasco, etc. Casos normais de empresas buscando visibilidade em grandes equipe do mais popular esporte do planeta.

Por fim, vos lembro o comercial vinculado em TVs com a global Camila Pitanga - e que já contou com o ex-jogador Raí. Será que uma empresa pública precisa de propagandas em rede nacional, dando dinheiro a empresas privadas de Comunicação? 


Risos.

domingo, 18 de novembro de 2012

A Copa do Brasil no rebaixamento do Palmeiras


Repetindo o Juventude, que em 99 venceu a Copa do Brasil e caiu no Campeonato Brasileiro (apesar de não ter disputado a Série B do ano seguinte pelos motivos que todos sabem), o Palmeiras confirmou o seu rebaixamento com o empate de 1x1 frente ao Flamengo, combinado ao empate da Portuguesa na partida contra o Grêmio (2x2) e à vitória do Bahia sobre a Ponte Preta (1x0). O ano, que tinha cara de redenção para a equipe palestrina devido à conquista de um título realmente importante após anos, acaba como um dos mais trágicos de sua gloriosa história. A pergunta que fica é: como a equipe conseguiu ir do céu ao inferno em um espaço tão curto de tempo?

A verdade é que o título da Copa do Brasil foi um ponto fora da reta. O elenco palmeirense é fraco, não o suficiente para ser rebaixado para a Segunda Divisão, mas também não forte o suficiente para iniciar uma arrancada de maneira a tirar a diferença de pontos que havia até as equipes fora da zona do descenso. Essa diferença foi concebida nos pontos perdidos quando a equipe dividia atenções com a Copa do Brasil, mas também, principalmente eu diria, com a superestimação que se deu ao elenco alviverde. Some a isso a pressão, externa e interna, rotineira no Palmeiras, que o elenco inexperiente não soube lidar e tivemos as condições base para o segundo rebaixamento do clube em Campeonatos Brasileiros.

Quando o Palmeiras empatou com o Coritiba em 1 x 1, no Couto Pereira, resultado que lhe deu o título da Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro estava na sua 8ª rodada. O Palmeiras ocupava a 18ª posição, com a campanha composta por 1 vitória, 2 empates e 5 derrotas. A primeira equipe fora da zona de rebaixamento era justamente o rival da final da Copa do Brasil, o Coritiba, com 7 pontos. Até esse ponto, o Palmeiras havia mandado a campo equipes mistas ou compostas em sua totalidade por reservas em mais da metade dos jogos até ali realizados.

A taça e os consequentes confetes jogados à equipe palmeirense anestesiaram a equipe por algumas rodadas, não ligando o senso de urgência que a situação requeria. Agravou-se esse sentimento quando, na 11ª rodada, a equipe saiu da zona de rebaixamento - permaneceu fora até a 13ª rodada. Criou-se aí que o Palmeiras sairia de vez da zona do descenso, o que ia de encontro ao pensamento que se tinha de superdimensionamento das capacidades do elenco alviverde.

Só a nível de comparação. Nessa mesma 8ª rodada, faziam companhia ao Palmeiras, os rivais Corinthians e Santos. As duas equipes, assim como o Palmeiras, dividiam suas atenções com outro campeonato, que no caso dos alvinegros era a Libertadores. Com elencos mais fortes ao do Palmeiras, conseguiram, mesmo sem ‘’ligar o senso de urgência, escapar do Z-4.

Quando a equipe retornou à zona do rebaixamento, não teve mais forças para sair. A partir daí, os fatores que mais foram decisivos para o rebaixamento foram a própria falta de talento da equipe, as contusões de jogadores que poderiam pelo menos melhorar um pouco a situação, como Valdívia e Daniel Carvalho, a instabilidade política e o hooliganismo promovido por algumas torcidas organizadas, que deram uma grande contribuição ao caos formado no clube e no elenco de jogadores. Em meio a tudo isso, Felipão ainda foi demitido e coube a Gilson Kleina a ingrata missão de tirar a equipe da lama, em um momento onde isso tinha ares de impossível.

Óbvio que não havia como optar entre a Copa do Brasil e a permanência na Série A. Mas é inegável a participação de um em outro. Agora que o Palmeiras consiga fazer um planejamento pro quase paradoxal dever de disputar a Série B e a Libertadores. O apaziguamento político é o principal ponto a se fazer. Disputas políticas (mais de grupos políticos distintos disputam o poder no conselho deliberativo) muitas vezes são postas acima do clube, o que só gera um conturbado ambiente, incompatível com uma equipe que pretende ter um clima estável. O grande problema do Palmeiras hoje é o próprio Palmeiras, ou, nas palavras, de um dos principais diretores alviverdes: ‘’O Palmeiras tem o vírus da autodestruição’’.

domingo, 11 de novembro de 2012

Aconteceu o que temíamos - ou o esdrúxulo regulamento da Série C

Há 3 anos a Série C não é mais o mais baixo nível do Campeonato Brasileiro. Essa modificação na hierarquia do Brasileirão fez com que a competição ficasse mais enxuta, com apenas 20 times. Entretanto, a fragilidade econômica predominante nas maioria das equipes que disputam a Terceirona não permitiu a adoção do mesmo sistema das competições superiores, os pontos corridos em turno em returno. Assim, um sistema de primeira fase de grupos foi instituído. Em 2009 e em 2010, foram 4 grupos de 5, onde os dois primeiros de cada grupo passavam ao mata-mata simples, quartas, semis e finais. Os semifinalistas subiam à Série B. Em 2011, os primeiros colocados dos grupos da Primeira Fase precisavam disputar ainda uma 2ª fase, composta por 2 grupos de 4. Os dois primeiros de cada grupo subiam e disputavam semi-finais para a decidir o título.

A Série C desse ano melhorou, indiscutivelmente, no quesito primeira fase. Em dois grupos de 10, turno e returno, a Terceirona proporcionou um maior calendário às equipes participantes. Entretanto, o complemento do regulamento o conspurcou. O fato de as equipes ainda terem que jogar uma quarta de final para definir os classificados para a Série B do próximo ano acabou por tirar aquele que justamente era a evolução do novo regulamento. Da maneira que foi feito, a primeira fase acabava por durar muito tempo se  levado em conta que ela poderia não valer nada. E foi justamente isso que acabou acontecendo. Os dois primeiros colocados de cada grupo (Fortaleza, Luverdense, do A, e Macaé e Duque de Caxias, do B) acabaram por não conseguir classificação. 

Os casos mais pertinentes foram os de Fortaleza e Luverdense. Absolutos na primeira fase, onde terminaram com 39 e 34 pontos, respectivamente, contra 24 dos 3º e 4º colocados, Icasa e Paysandu, as equipes sucumbiram perante Oeste e Chapecoense. O Luverdense aparentava já na fase de grupos uma decaída, quando ficou as 4 últimas rodadas sem vencer e perdeu a liderança para o Fortaleza. Nessa má fase, a equipe enfrentou a Chapecoense e foi eliminada já no primeiro jogo, quando perdeu por 3x0, na casa do adversário. A vitória em casa por 1x0 não foi suficiente para levar o clube à Segundona.

Já o Fortaleza terminou a fase de grupos ainda soberano, com apenas 1 derrota, ocorrida quando o time ainda era comandado pelo técnico Nedo Xavier. Sob comando de Vica, o Fortaleza não perdeu mais nenhum jogo da primeira fase, o que concedeu ao clube cearense o status de grande favorito, não só para o confronto contra o Oeste, mas para sagrar-se o campeão do certame. Contudo, a equipe viu esse favoritismo voltar-se contra si no clima de oba-oba que foi formado. O Oeste soube jogar bem nesse cenário, fazendo o apoio da torcida adversária se transformar em pressão para a própria equipe quando marcou o seu primeiro gol, aos 14min. Afoito, o Fortaleza, como um inseto em uma teia de aranha, foi presa fácil à marcação do time de Itápolis. Mesmo com uma maior posse de bola, o Tricolor só chegava através de bolas alçadas, vindas, sobretudo, de escanteios. Apesar do quadro não favorável, o Fortaleza chegou ao empate, em uma rebote de uma bola parada. O resultado, que levava o jogo aos pênaltis, teria tudo para acalmar os nervos tricolores, o que até aconteceu, vide os 10 primeiros minutos do Segundo Tempo. Uma bola na trave, duas defesaças do goleiro do Oeste e um gol anulado pareciam servir como porta-vozes da virada tricolor. Mas a equipe não aproveitou as chances que teve e voltou ao marasmante futebol que apresentou na primeira etapa, sucumbindo à forte defesa adversária. O Oeste, com uma frieza impressionante, resistindo às ofensivas, achou o seu contra-ataque tão desejado e marcou, para o desespero leonino. Sem criatividade e muito exposto aos contra-ataques, a equipe ainda levaria um 3º gol, para sepultar de vez a permanência pelo 4º ano seguido na Série C. A primeira derrota do técnico Vica veio justamente no momento em que não poderia vir.

Sou da opinião de que o mata-mata ainda deveria continuar, mas não para a decisão dos subintes e sim  para a do título apenas. Os times que integrarão a Série B do próximo ano deveriam vim já da Fase de Grupos.

As equipes que disputarão a Série B do próximo ano não tem nada a ver com isso. Assim como as equipes que ficaram pelo caminho. Ninguém pode reclamar de um regulamento que concordou, muito menos só depois de vê o quanto se deu mal com ele...