O Corinthians anunciou nesta segunda-feira, através do seu site, o novo patrocinador master do clube. Trata-se da Caixa Econômica Federal, que pagará 31 milhões de reais anuais, até 2014. A marca já estará estampada na camisa do clube a partir do próximo sábado, contra o Santos, no Pacaembu.
Pois bem, isso foi o suficiente para ''analistas'' exporem o seu clubismo travestido de ''revolta cidadã'':
''Como pode, um banco estatal, financiar um time de futebol? O meu dinheiro dos impostos para o Corinthians? Certeza que isso tem o dedo do Lula. Mais dinheiro público para esse time sujo. Só no Brasil mesmo...''
Essa revolta é sem sentido e, como já disse, com fortes ares clubistas. Primeiro, não ocorreu grande revolta quando a Caixa anunciou que patrocinaria Avaí, Figueirense e Atlético-PR. ~Estranhamente~ só ocorreram grandes manifestações contra quando aquele que é um dos mais odiados clubes do país passou a ser o patrocinado.
''Mas isso ainda assim, é errado dá dinheiro público a times de futebol, é um absurdo.''
Primeiro, a Caixa tem patrimônio próprio. Segundo: não é ''dá'' o dinheiro, puro e simplesmente. É patrocínio, não é um agrado ou uma esmola, a Caixa com toda a certeza terá um retorno, afinal, vai estampar a sua marca na camisa de uma das equipes mais famosas do país, que aparece todo dia na TV, que em breve disputará o Campeonato Mundial de Clubes, no Japão, etc, etc...
''Sim, mas qual o sentido de uma estatal fazer propaganda?
A Caixa está no mercado, disputando espaço e clientes com bancos privados. Precisa de dinheiro, já que financia e incentiva programas sociais, além do óbvio objetivo de lucro. Logo, faz propagandas para angariar clientes e, consequentemente, dinheiro.
''Mas qual o sentido de uma empresa já consolidada fazer propaganda''
Partindo desse princípio, Coca-Cola e McDonalds não precisam mais fazer propaganda, certo? ...
''Só que a Caixa já patrocinava outros esportes, entretanto não patrocinava diretamente clubes, porque não patrocina direto o Campeonato Brasileiro?''
Ao patrocinar outros esportes, a Caixa não visa o lucro diretamente através do patrocínio, espera reforçar uma imagem de empresa ''descolada'', com consciência social - ao investir no esporte amador e paralímpico. Irá continuar com estes patrocínios, que, aí sim, são mais como uma espécie de ''caridade'', já que não traz tanto retorno direto.
E sobre patrocinar diretamente o futebol. Patrocinar o Campeonato Brasileiro seria uma boa, mas já é a Petrobrás quem o faz...
Isso pra não contar vários outros patrocínios de estatais. Petrobrás no River Plate e Flamengo, Eletrobrás no Vasco, etc. Casos normais de empresas buscando visibilidade em grandes equipe do mais popular esporte do planeta.
Por fim, vos lembro o comercial vinculado em TVs com a global Camila Pitanga - e que já contou com o ex-jogador Raí. Será que uma empresa pública precisa de propagandas em rede nacional, dando dinheiro a empresas privadas de Comunicação?
Risos.