Repetindo o Juventude,
que em 99 venceu a Copa do Brasil e caiu no Campeonato Brasileiro (apesar de
não ter disputado a Série B do ano seguinte pelos motivos que todos sabem), o
Palmeiras confirmou o seu rebaixamento com o empate de 1x1 frente ao Flamengo,
combinado ao empate da Portuguesa na partida contra o Grêmio (2x2) e à vitória do
Bahia sobre a Ponte Preta (1x0). O ano, que tinha cara de redenção para a equipe palestrina
devido à conquista de um título realmente importante após anos, acaba como um
dos mais trágicos de sua gloriosa história. A pergunta que fica é: como a
equipe conseguiu ir do céu ao inferno em um espaço tão curto de tempo?
A verdade é que o
título da Copa do Brasil foi um ponto fora da reta. O elenco palmeirense é
fraco, não o suficiente para ser rebaixado para a Segunda Divisão, mas também não
forte o suficiente para iniciar uma arrancada de maneira a tirar a diferença de
pontos que havia até as equipes fora da zona do descenso. Essa diferença foi
concebida nos pontos perdidos quando a equipe dividia atenções com a Copa do
Brasil, mas também, principalmente eu diria, com a superestimação que se deu ao
elenco alviverde. Some a isso a pressão, externa e interna, rotineira no
Palmeiras, que o elenco inexperiente não soube lidar e tivemos as condições
base para o segundo rebaixamento do clube em Campeonatos Brasileiros.
Quando o Palmeiras
empatou com o Coritiba em 1 x 1, no Couto Pereira, resultado que lhe deu o
título da Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro estava na sua 8ª rodada. O
Palmeiras ocupava a 18ª posição, com a campanha composta por 1 vitória, 2
empates e 5 derrotas. A primeira equipe fora da zona de rebaixamento era
justamente o rival da final da Copa do Brasil, o Coritiba, com 7 pontos. Até
esse ponto, o Palmeiras havia mandado a campo equipes mistas ou compostas em
sua totalidade por reservas em mais da metade dos jogos até ali realizados.
A taça e os
consequentes confetes jogados à equipe palmeirense anestesiaram a equipe por
algumas rodadas, não ligando o senso de urgência que a situação requeria.
Agravou-se esse sentimento quando, na 11ª rodada, a equipe saiu da zona de
rebaixamento - permaneceu fora até a 13ª rodada. Criou-se aí que o Palmeiras
sairia de vez da zona do descenso, o que ia de encontro ao pensamento que se
tinha de superdimensionamento das capacidades do elenco alviverde.
Só a nível de
comparação. Nessa mesma 8ª rodada, faziam companhia ao Palmeiras, os rivais
Corinthians e Santos. As duas equipes, assim como o Palmeiras, dividiam suas
atenções com outro campeonato, que no caso dos alvinegros era a Libertadores. Com
elencos mais fortes ao do Palmeiras, conseguiram, mesmo sem ‘’ligar o senso de urgência,
escapar do Z-4.
Quando a equipe retornou à zona do rebaixamento, não teve mais forças para sair. A partir daí, os fatores que mais foram decisivos para o rebaixamento foram a própria falta de talento da equipe, as contusões de jogadores que poderiam pelo menos melhorar um pouco a situação, como Valdívia e Daniel Carvalho, a instabilidade política e o hooliganismo promovido por algumas torcidas organizadas, que deram uma grande contribuição ao caos formado no clube e no elenco de jogadores. Em meio a tudo isso, Felipão ainda foi demitido e coube a Gilson Kleina a ingrata missão de tirar a equipe da lama, em um momento onde isso tinha ares de impossível.
Óbvio que não havia
como optar entre a Copa do Brasil e a permanência na Série A. Mas é inegável a
participação de um em outro. Agora que o Palmeiras consiga fazer um
planejamento pro quase paradoxal dever de disputar a Série B e a Libertadores. O
apaziguamento político é o principal ponto a se fazer. Disputas políticas (mais
de grupos políticos distintos disputam o poder no conselho deliberativo) muitas
vezes são postas acima do clube, o que só gera um conturbado ambiente,
incompatível com uma equipe que pretende ter um clima estável. O grande
problema do Palmeiras hoje é o próprio Palmeiras, ou, nas palavras, de um dos
principais diretores alviverdes: ‘’O Palmeiras tem o vírus da autodestruição’’.
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