domingo, 18 de novembro de 2012

A Copa do Brasil no rebaixamento do Palmeiras


Repetindo o Juventude, que em 99 venceu a Copa do Brasil e caiu no Campeonato Brasileiro (apesar de não ter disputado a Série B do ano seguinte pelos motivos que todos sabem), o Palmeiras confirmou o seu rebaixamento com o empate de 1x1 frente ao Flamengo, combinado ao empate da Portuguesa na partida contra o Grêmio (2x2) e à vitória do Bahia sobre a Ponte Preta (1x0). O ano, que tinha cara de redenção para a equipe palestrina devido à conquista de um título realmente importante após anos, acaba como um dos mais trágicos de sua gloriosa história. A pergunta que fica é: como a equipe conseguiu ir do céu ao inferno em um espaço tão curto de tempo?

A verdade é que o título da Copa do Brasil foi um ponto fora da reta. O elenco palmeirense é fraco, não o suficiente para ser rebaixado para a Segunda Divisão, mas também não forte o suficiente para iniciar uma arrancada de maneira a tirar a diferença de pontos que havia até as equipes fora da zona do descenso. Essa diferença foi concebida nos pontos perdidos quando a equipe dividia atenções com a Copa do Brasil, mas também, principalmente eu diria, com a superestimação que se deu ao elenco alviverde. Some a isso a pressão, externa e interna, rotineira no Palmeiras, que o elenco inexperiente não soube lidar e tivemos as condições base para o segundo rebaixamento do clube em Campeonatos Brasileiros.

Quando o Palmeiras empatou com o Coritiba em 1 x 1, no Couto Pereira, resultado que lhe deu o título da Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro estava na sua 8ª rodada. O Palmeiras ocupava a 18ª posição, com a campanha composta por 1 vitória, 2 empates e 5 derrotas. A primeira equipe fora da zona de rebaixamento era justamente o rival da final da Copa do Brasil, o Coritiba, com 7 pontos. Até esse ponto, o Palmeiras havia mandado a campo equipes mistas ou compostas em sua totalidade por reservas em mais da metade dos jogos até ali realizados.

A taça e os consequentes confetes jogados à equipe palmeirense anestesiaram a equipe por algumas rodadas, não ligando o senso de urgência que a situação requeria. Agravou-se esse sentimento quando, na 11ª rodada, a equipe saiu da zona de rebaixamento - permaneceu fora até a 13ª rodada. Criou-se aí que o Palmeiras sairia de vez da zona do descenso, o que ia de encontro ao pensamento que se tinha de superdimensionamento das capacidades do elenco alviverde.

Só a nível de comparação. Nessa mesma 8ª rodada, faziam companhia ao Palmeiras, os rivais Corinthians e Santos. As duas equipes, assim como o Palmeiras, dividiam suas atenções com outro campeonato, que no caso dos alvinegros era a Libertadores. Com elencos mais fortes ao do Palmeiras, conseguiram, mesmo sem ‘’ligar o senso de urgência, escapar do Z-4.

Quando a equipe retornou à zona do rebaixamento, não teve mais forças para sair. A partir daí, os fatores que mais foram decisivos para o rebaixamento foram a própria falta de talento da equipe, as contusões de jogadores que poderiam pelo menos melhorar um pouco a situação, como Valdívia e Daniel Carvalho, a instabilidade política e o hooliganismo promovido por algumas torcidas organizadas, que deram uma grande contribuição ao caos formado no clube e no elenco de jogadores. Em meio a tudo isso, Felipão ainda foi demitido e coube a Gilson Kleina a ingrata missão de tirar a equipe da lama, em um momento onde isso tinha ares de impossível.

Óbvio que não havia como optar entre a Copa do Brasil e a permanência na Série A. Mas é inegável a participação de um em outro. Agora que o Palmeiras consiga fazer um planejamento pro quase paradoxal dever de disputar a Série B e a Libertadores. O apaziguamento político é o principal ponto a se fazer. Disputas políticas (mais de grupos políticos distintos disputam o poder no conselho deliberativo) muitas vezes são postas acima do clube, o que só gera um conturbado ambiente, incompatível com uma equipe que pretende ter um clima estável. O grande problema do Palmeiras hoje é o próprio Palmeiras, ou, nas palavras, de um dos principais diretores alviverdes: ‘’O Palmeiras tem o vírus da autodestruição’’.

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